terça-feira, 16 de agosto de 2011

Beleza sobre as ondas e a bordo de uma motocicleta

Fotos: George Magaraia/ iG Rio

Gabriela Gouvêa é membro da guarda municipal do Rio de Janeiro e atual campeã estadual de bodyboard

Beatriz Merched, iG Rio de Janeiro | 16/08/2011 14:11

É impossível não notar a guarda municipal Gabriela Gouvêa durante suas rondas pelas ruas de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Pele bronzeada, unhas vermelhas, batom cintilante nos lábios, brincos, anéis, pulseiras e um apito rosa. É assim que ela assume sua função diariamente no Grupamento de Guardas Motociclistas. Mais conhecida como guarda Gabi, ela também chama atenção nas praias onde costuma disputar campeonatos de bodyboard. “Sou conhecida como a guarda das ondas. Acho isso um elogio”, afirma ela.

Gabriela concilia a atividade de guarda municipal com a de bodyboarder profissional

Aos 36 anos, Gabriela conta que o surf surgiu como uma brincadeira quando ela tinha apenas 11 anos e que, somente aos 18 anos decidiu se profissionalizar. A dedicação e a disciplina logo lhe renderam os títulos de campeã capixaba e carioca. “Atualmente, ocupo o nono lugar no ranking brasileiro e o 40° no mundial. Ainda me impressiono com as minhas conquistas”, diz a atleta que embarca na próxima sexta-feira (19) para Portugal para tentar melhorar sua posição no mundial. Segundo Gabi, uma de suas melhores torcidas é a de sua filha, Maria Eduarda, de 11 anos, que a acompanha sempre que pode durante os campeonatos. “Perto dela, a torcida do Flamengo é mínima. Ela vibra, tira foto, grita e já tem a prancha dela para surfar também”.

Gabriela diz que ouve mais cantadas na rua do que na praia

Para manter a boa forma, Gabriela corre na areia e pedala no calçadão em dias alternados, mas não conta com a orientação de um profissional especializado. “Cuido do meu condicionamento físico sozinha. Sei que não é o ideal, mas como já conheço meu corpo e minhas deficiências, vou levando tranquilamente”, admite Gabi. Além dos exercícios, ela não descuida do rosto e do cabelo. “Não abro mão de protetor solar para o dia a dia e muito creme hidratante para os cabelos não sofrerem com a ação do sol e do sal”. Gabriela prestou concurso para a guarda municipal do Rio de Janeiro em 2002, mas só foi contratada em 2007. Sua primeira missão foi integrar as equipes de controle urbano dos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007. Também atuou por 10 meses no Grupamento Especial de Praia (GEP) e por três anos no 1º Grupamento Especial de Trânsito (1º GET).

Atualmente, Gabriela é campeã estadual da modalidade e nona no ranking nacional

A experiência não a livra, no entanto, das inúmeras cantadas que recebe durante o trabalho. “Sou muito paquerada no trânsito, mais até do que na praia. Acho que provoco uma certa curiosidade nas pessoas. Mas mostro logo quem manda. Dou uma ordem unida (apitada) para deixar claro que naquela situação sou autoridade", conta, rindo bastante. Para ela, conciliar esporte com o trabalho a tem feito uma mulher muito mais feliz. “Esporte é vida, saúde e equilíbrio pra mim. Se eu trabalho feliz nesse trânsito complicado do Rio de Janeiro é por causa do surf. É uma válvula de escape que me deixa num outro astral”.

Educação na Ilha do Marajó


Por Cláudio Barbosa

O Brasil é realmente surpreendente. Na Reserva Extrativista Mapuá, na Ilha do Marajó, foi construída em junho deste ano um centro de ensino diferente: a Escola Familiar Rural, que atende estudantes indígenas da tribo Mapuaara e outras famílias caboclas da região.

A reserva extrativista onde se encontra a escola fica em um dos quatro distritos que formam o município de Breves, o Distrito de São Miguel dos Macacos. Quem não é do lugar e quer chegar à reserva é necessário navegar durante 12 horas de barco em meio ao clima exótico da mata amazônica, passando por rios deslumbrantes, como o Estreito de Breves, Jaburu, Aramã e Mapuá.

Banhada pelo rio Mapuá, a inovadora escola atende cerca de 200 alunos de 1ª a 8ª série, e logo terá também o ensino médio. Segundo o prefeito do município de Breves, José Antônio Xarão Leão, o projeto tornou-se o orgulho da sua gestão, pois foi construída com recursos próprios, muita coragem e audácia. “Nossa escola é referência para prefeitos de outros estados e até outros países. Prefeitos da Europa já nos visitaram”.

O prefeito destaca que a diferença para outras escolas é que, além da localização desbravadora, o centro funciona por meio de uma nova metodologia de ensino - a pedagogia de alternância - que consiste em que os alunos fiquem internos durante 15 dias do mês e nos outros 15 voltem para os lares e apliquem seus conhecimentos junto a seus pais e familiares. A escola tornou-se também um meio de geração de renda às famílias, e hoje emprega cerca de 70 funcionários entre professores, pessoal administrativo e de serviços gerais.

Em plena mata amazônica, na Ilha do Marajó, a Escola Familiar Rural é um exemplo de que: com vontade política e criatividade, a educação derruba barreiras e atravessa distâncias neste imenso Brasil.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cuíra retoma peça sobre amor de Magalhães Barata

Zê Charone interpreta Dalila Ohana, que viveu com Magalhães Barata (Foto: Divulgação)

É noite de terça-feira em Belém do Pará. Zê Charone e Edyr Augusto Proença estão no Espaço Cuíra à espera de Cláudio Barradas para começar o ensaio do espetáculo “Sem Dizer Adeus”, que volta a ser apresentado na cidade. “Ele é padre, está rezando uma missa e vem direto pra cá”, explica o diretor Edyr Augusto. A peça entra em cartaz hoje e conta a história de Dalila Ohana, mulher de Magalhães Barata, um dos maiores líderes políticos do Pará, expulsa da própria casa quando o marido, com quem não era casada oficialmente, caiu doente.

Quando Barradas chega, está com uma calça de linho e uma blusa branca de algodão, onde um crucifixo de madeira se destaca. O ensaio já pode começar. “Se eu mandasse nesse país, todo mundo faria teatro pelo menos durante três anos. Teatro abre a cabeça. Nós entendemos de seres humanos”, diz ele, ao tentar explicar porque tornou-se padre depois de tantos anos como ator.

“Sem Dizer Adeus” é baseado no livro “Eu e as últimas 72 horas de Magalhães Barata”, de autoria da própria Dalila, que foi buscar na escrita sua forma de protesto. A adaptação recebeu o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, concedido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em 2009, e faz parte do projeto “Cuíra por Memória”.

Até 2012, a vida do ex-governador do Pará Joaquim de Magalhães Cardoso Barata (1888-1959) será tema do projeto, que encerrará com um grande musical. “Não sou admirador de caudilhos como o Barata, mas a injustiça com a qual Dalila foi tratada me incomodou. Acho que o teatro precisava tratar disso, não somente como fato histórico, mas principalmente para discutir o tema com a sociedade”, diz Edyr Augusto.

ASSISTA
Espetáculo “Sem Dizer Adeus”, de Edyr Augusto Proença. Com Cláudio Barradas e Zê Charone e participações de Henrique da Paz, Olinda Charone, Saulo Sisnando, André Mardock, Roni Hofstatter e Flávio Ramos. Reestreia hoje, às 21h, no Teatro Cuíra (Rua 1º de Março, esquina com Riachuelo, Campina). Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada para estudantes). A temporada segue até dia 4 de setembro, sempre às sextas, sábados e domingos, às 21h.

(Diário do Pará)




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PMDB planeja dar um “susto” em Dilma Rousseff

Reunião na casa de José Sarney na noite de terça-feira (9) discutiu possibilidade de constranger presidenta com a aprovação de uma CPI ou com derrota em votação importante

Reunidos na casa de José Sarney, cúpula do PMDB avaliou com irritação a prisão dos aliados do partido na operação da PF que investigou irregularidades no Ministério do Turismo - Jonas Pereira/Senado

“Ela vai descobrir que não governa sozinha”. A frase resume o clima do jantar que reuniu, na noite de terça-feira (9) a cúpula do PMDB na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Irritados com a prisão de apadrinhados que indicaram para o Ministério do Turismo, no jantar os peemedebistas traçaram uma estratégia: eles pretendem dar um “susto” na presidenta Dilma. Duas alternativas foram postas na mesa: a mais drástica é dar apoio à criação da CPI da Corrupção, proposta pela oposição; a mais suave é permitir a votação – e a aprovação – de algum projeto que traga fortes prejuízos ao governo. Dois projetos encabeçam essa lista: a emenda 29 – que aumenta o valor dos repasses orçamentários obrigatórios para a área da saúde – e a PEC 300 – que estabelece um piso nacional para policiais e bombeiros tomando como base o que eles ganham no Distrito Federal.

“Isso anda muito ruim. É correto que a presidenta Dilma demonstre preocupação com a corrupção, mas não à custa de nos desmoralizar e nos pintar como corruptos”, disse um parlamentar peemedebista, em conversa no jantar que marcou o lançamento do Prêmio Congresso em Foco 2011, antes de sair para a casa de Sarney.

A ideia é criar um grave prejuízo,que mostre a Dilma que ela depende de sua base de sustentação, e não pode manter uma estratégia em que ela se isole das denúncias imolando seus aliados. Tanto a emenda 29 – que tem mais chance de ser posta em votação – quanto a PEC 300, se aprovadas, aumentariam imensamente os gastos do governo, num momento em que é preciso cautela com a situação econômica mundial.

Apoiar a instalação da CPI da Corrupção seria o golpe mais duro. Um dos senadores que, na reunião, mostrou mais inclinação a essa hipótese foi Renan Calheiros (PMDB-AL). Por um lado, passaria a sensação de que os peemedebistas não temem a investigação. A ideia, porém, é buscar controlar a investigação para que venha a atingir mais o próprio PT de Dilma e desgaste o governo. Os senadores lembraram, na reunião, casos anteriores de desgaste político provocados por CPIs que investiguem de forma genérica a corrupção, uma vez que elas têm um espectro amplo que permitem que elas se estendam por tempo indefinido. O próprio Sarney lembrou o quanto uma CPI com esse teor ajudou a desgastar sua popularidade quando era presidente. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) recordou a CPI dos Correios, que investigou o mensalão do PT (na ocasião, Eunício era o ministro das Comunicações do então presidente Lula).

Os peemedebistas não chegaram a acertar o momento em que darão esse “susto”. “Isso vai acontecer na primeira oportunidade que houver”, disse uma fonte do partido.

O clima de insatisfação entre os peemedebistas começou já na manhã da terça-feira (9), quando se noticiou a prisão dos 35 assessores do Ministério do Turismo. De um modo geral, houve a avaliação de que houve “espetacularização” e “exagero” na ação da Polícia Federal. Segundo a própria informação da PF, a investigação tratava de uma irregularidade ocorrida em um convênio em 2009, e estavam presos assessores que entraram no ministério somente agora, juntamente com o ministro Pedro Novais.

A situação não melhorou à tarde, quando a cúpula do PMDB reuniu-se com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. “A minha missão aqui é informar oficialmente aos senhores o que houve”, disse Ideli. “Isso é algo dispensável. Nós já lemos a notícia na internet”, respondeu, ríspido, um dos senadores presentes. Alguns outros recados, de acordo com o relato de políticos presentes, foram dados claramente à ministra: “Não parece prudente a presidenta ficar administrando o país em crise política permanente e ela não pode também achar que pode governar desprezando a classe política”.

Reprovações e apoios

Não foi apenas o PMDB que se reuniu na noite de terça-feira (9) para avaliar a crise política. Também houve uma reunião do PR. Antes de partir para a reunião, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), passou pelo jantar de lançamento do Prêmio Congresso em Foco. Uma conversa no jantar demonstra como o comportamento de Dilma divide parlamentares que apoiam seu governo. “O que aconteceu foi um exagero. Uma irregularidade de 2009, numa emenda orçamentária de R$ 4 milhões, e prendem mais de 30 pessoas, algumas que nem estavam no ministério na época”, disse Lincoln Portela, numa conversa com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). “Mas eu apoio integralmente a presidenta. Não pode ser conivente com corrupção”, respondeu Cristovam. “Mas não pode haver injustiça nem excessos”, insistiu Lincoln Portela.

Para um senador do PT presente ao jantar do Prêmio Congresso em Foco, Dilma pagará um preço por não transigir com os casos de corrupção. “Mas é o que ela tem que fazer”, comentou, pedindo para não ser identificado. Para esse senador, o PMDB e os demais partidos da base deveriam mesmo escolher entre seus quadros pessoas que não tenham por objetivo desviar dinheiro público.

Políticos da base governista ouvidos pelo Congresso em Foco avaliam que há um clima geral de desconfiança com o que vem acontecendo. “De qual partido vai ser o próximo algemado?”, comentou um deputado da base. Não por acaso, foi dado na quarta-feira (10) o primeiro recado, quando não se votou nada na sessão da Câmara.

“Dilma amarelou”

Na oposição, porém, os parlamentares duvidam da intenção de Dilma de tratar todos os casos de corrupção da mesma forma. Lembram que ela afastou do Ministério dos Transportes o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que pertence a um partido menor, mas, diante das denúncias nos Ministérios da Agricultura e do Turismo manteve, respectivamente, os peemedebistas Wagner Rossi e Pedro Novais. “Dilma amarelou”, fulmina o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). “Dilma simula a tal faxina. Só vai ser diferente se tratar a todos de maneira igual, o que ela não vem fazendo”, completa.

“As providências acontecem pela metade”, concorda o senador Jarbas Vasconcelos (PE), que forma uma dissidência oposicionista no PMDB. “Ela foi dura e severa com o Ministério dos Transportes e não tem o mesmo comportamento com relação a outras coisas”, diz ele. Jarbas, porém, condena os esquemas no Ministério do Turismo, administrado por seu partido. “Dinheiro pra São João, carnaval, carnaval fora de época. Isso é bandalheira, isso tudo é sujeira”, disse ele, referindo-se à “folia com o dinheiro público”, noticiada pelo Congresso em Foco em diversas ocasiões.

Confira:

Arraiá da verba pública: R$ 22 milhões

Folia com dinheiro público

“O que nós vemos é um governo reativo, que se movimenta a partir de denúncias que vêm de fora. Eu não vejo até agora uma disposição efetiva do governo para coibir o que passou a ser praxe na máquina pública”, avalia o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), rebate a argumentação da oposição de que a “faxina” é seletiva e só atinge os parceiros menores do governo. “É bom lembrar que o primeiro a sair foi o ministro [Antonio] Palocci (ele deixou a Casa Civil após denúncias que mostravam grande faturamento de sua empresa no período em que coordenou a campanha de Dilma e depois o governo de transição), que é do PT e era um dos principais ministros do governo Dilma”, disse Humberto.

Fonte: Congresso em Foco

Foi um enorme prazer participar da produção dos shows que animaram a galera na posse da Presidente Dilma Roussef. Parabéns a todos que fizeram parte deste evento e um abraço especial ao Zelito Passos, maestro Manassés e banda, Zunga, Kleber Moraes, Klésio Borges, Davi Honório e Cassimiro.

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