quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ministro dos Transportes nega irregularidades nos contratos da pasta

Brizza Cavalcante
Audiência Pública, Tema: Esclarecimentos a respeito das denúncias de má gestão dos recursos na área do Ministério dos Transportes, majoração injustificada do custo das obras sob a responsabilidade da Pasta, medidas adotadas para saná-las e para reduzir os custos de obras e serviços relativos às rodovias brasileiras. (REQ 65/11- CVT e 123/2011 - CFFC, Pauderney Avelino e Vanderlei Macris, respectivamente)
O ministro Paulo Passos informou que o número de obras sujeitas a paralisação caiu a zero em 2011.

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, voltou a negar nesta quarta-feira seu envolvimento em supostos esquemas de corrupção na pasta. Em audiência pública na Câmara, Passos repetiu boa parte de seu depoimento ao Senado na terça-feira (16) e negou também a existência de irregularidades nos aditivos referentes a contratos de obras da pasta, o que seria visto como superfaturamento para beneficiar integrantes do PR.

Os aditivos são recursos que permitem o aumento de custo de uma obra em andamento. Paulo Passos explicou, no entanto, que eles são previstos na Lei das Licitações, e os poderes públicos utilizam a prerrogativa. “Entre 2007 e 2010, foram celebrados cerca de 3.002 aditivos contratuais. Desses, 1.469 se referiam a prazo ou redução de valor. O valor dos acréscimos correspondeu a R$ 3,1 bilhões, isso representa 8% da carteira de contratos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)”, afirmou Passos. Segundo o ministro, a carteira de contratos do Dnit passou de R$ 25 bilhões em 2007 para R$ 37 bilhões em 2010; de 1.065 contratos para 1.352 contratos.

Passos informou que os órgãos públicos contratam obras baseados em projetos base, que muitas vezes não são bem elaborados, o que gera uma diferença entre o valor contratado e o final. Os aditivos, disse, surgem a partir da identificação de ajustamentos de adequação em obras por necessidades técnicas. Nesses casos, um relatório é elaborado e passa por diversas instâncias, até que o aditivo seja autorizado pela diretoria do órgão.

Na opinião do líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), essa forma de contratação indica uma falta de planejamento no ministério, uma vez que os contratos são feitos em cima de projetos que justificariam aditivos. Passos reconheceu que há falhas no ministério, mas se comprometeu com a reengenharia do órgão, com a instituição também de uma diretoria técnica no Dnit e na Valec e a contratação de engenheiros.

Obras do PAC
Em relação ao aumento do valor global, de R$ 56 bilhões para R$ 72 bilhões, na expectativa dos investimentos necessários para concluir obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ministro explicou que algumas obras do programa tiveram adequação de capacidade. Em alguns casos de rodovias, o governo resolveu fazer a duplicação; em outros, precisou contornar reserva indígena, por exemplo.

“Tivemos de refazer projetos de engenharia, de estudos ambientais, recontratar construções”, disse. "Tudo o que se faz do ponto de vista de Orçamento passa pelo Congresso Nacional. Não vai ser diferente com os projetos do PAC."

Fiscalização do TCU
O ministro ressaltou ainda que vem diminuindo ano a ano o número de obras com irregularidades graves, sujeitas a paralisação, apontadas por fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). Para o exercício de 2008, por exemplo, o TCU apontou 34 obras como irregulares, e o Congresso Nacional entendeu que 21 delas deveriam estar sujeitas a paralisação. Para o exercício de 2011, o número de obras sujeitas a paralisação caiu a 0, segundo avaliação do Congresso.

A reunião foi promovida em conjunto pelas comissões de Viação e Transportes; e de Fiscalização Financeira e Controle.

Agência Câmara


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Beleza sobre as ondas e a bordo de uma motocicleta

Fotos: George Magaraia/ iG Rio

Gabriela Gouvêa é membro da guarda municipal do Rio de Janeiro e atual campeã estadual de bodyboard

Beatriz Merched, iG Rio de Janeiro | 16/08/2011 14:11

É impossível não notar a guarda municipal Gabriela Gouvêa durante suas rondas pelas ruas de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Pele bronzeada, unhas vermelhas, batom cintilante nos lábios, brincos, anéis, pulseiras e um apito rosa. É assim que ela assume sua função diariamente no Grupamento de Guardas Motociclistas. Mais conhecida como guarda Gabi, ela também chama atenção nas praias onde costuma disputar campeonatos de bodyboard. “Sou conhecida como a guarda das ondas. Acho isso um elogio”, afirma ela.

Gabriela concilia a atividade de guarda municipal com a de bodyboarder profissional

Aos 36 anos, Gabriela conta que o surf surgiu como uma brincadeira quando ela tinha apenas 11 anos e que, somente aos 18 anos decidiu se profissionalizar. A dedicação e a disciplina logo lhe renderam os títulos de campeã capixaba e carioca. “Atualmente, ocupo o nono lugar no ranking brasileiro e o 40° no mundial. Ainda me impressiono com as minhas conquistas”, diz a atleta que embarca na próxima sexta-feira (19) para Portugal para tentar melhorar sua posição no mundial. Segundo Gabi, uma de suas melhores torcidas é a de sua filha, Maria Eduarda, de 11 anos, que a acompanha sempre que pode durante os campeonatos. “Perto dela, a torcida do Flamengo é mínima. Ela vibra, tira foto, grita e já tem a prancha dela para surfar também”.

Gabriela diz que ouve mais cantadas na rua do que na praia

Para manter a boa forma, Gabriela corre na areia e pedala no calçadão em dias alternados, mas não conta com a orientação de um profissional especializado. “Cuido do meu condicionamento físico sozinha. Sei que não é o ideal, mas como já conheço meu corpo e minhas deficiências, vou levando tranquilamente”, admite Gabi. Além dos exercícios, ela não descuida do rosto e do cabelo. “Não abro mão de protetor solar para o dia a dia e muito creme hidratante para os cabelos não sofrerem com a ação do sol e do sal”. Gabriela prestou concurso para a guarda municipal do Rio de Janeiro em 2002, mas só foi contratada em 2007. Sua primeira missão foi integrar as equipes de controle urbano dos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007. Também atuou por 10 meses no Grupamento Especial de Praia (GEP) e por três anos no 1º Grupamento Especial de Trânsito (1º GET).

Atualmente, Gabriela é campeã estadual da modalidade e nona no ranking nacional

A experiência não a livra, no entanto, das inúmeras cantadas que recebe durante o trabalho. “Sou muito paquerada no trânsito, mais até do que na praia. Acho que provoco uma certa curiosidade nas pessoas. Mas mostro logo quem manda. Dou uma ordem unida (apitada) para deixar claro que naquela situação sou autoridade", conta, rindo bastante. Para ela, conciliar esporte com o trabalho a tem feito uma mulher muito mais feliz. “Esporte é vida, saúde e equilíbrio pra mim. Se eu trabalho feliz nesse trânsito complicado do Rio de Janeiro é por causa do surf. É uma válvula de escape que me deixa num outro astral”.

Educação na Ilha do Marajó


Por Cláudio Barbosa

O Brasil é realmente surpreendente. Na Reserva Extrativista Mapuá, na Ilha do Marajó, foi construída em junho deste ano um centro de ensino diferente: a Escola Familiar Rural, que atende estudantes indígenas da tribo Mapuaara e outras famílias caboclas da região.

A reserva extrativista onde se encontra a escola fica em um dos quatro distritos que formam o município de Breves, o Distrito de São Miguel dos Macacos. Quem não é do lugar e quer chegar à reserva é necessário navegar durante 12 horas de barco em meio ao clima exótico da mata amazônica, passando por rios deslumbrantes, como o Estreito de Breves, Jaburu, Aramã e Mapuá.

Banhada pelo rio Mapuá, a inovadora escola atende cerca de 200 alunos de 1ª a 8ª série, e logo terá também o ensino médio. Segundo o prefeito do município de Breves, José Antônio Xarão Leão, o projeto tornou-se o orgulho da sua gestão, pois foi construída com recursos próprios, muita coragem e audácia. “Nossa escola é referência para prefeitos de outros estados e até outros países. Prefeitos da Europa já nos visitaram”.

O prefeito destaca que a diferença para outras escolas é que, além da localização desbravadora, o centro funciona por meio de uma nova metodologia de ensino - a pedagogia de alternância - que consiste em que os alunos fiquem internos durante 15 dias do mês e nos outros 15 voltem para os lares e apliquem seus conhecimentos junto a seus pais e familiares. A escola tornou-se também um meio de geração de renda às famílias, e hoje emprega cerca de 70 funcionários entre professores, pessoal administrativo e de serviços gerais.

Em plena mata amazônica, na Ilha do Marajó, a Escola Familiar Rural é um exemplo de que: com vontade política e criatividade, a educação derruba barreiras e atravessa distâncias neste imenso Brasil.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cuíra retoma peça sobre amor de Magalhães Barata

Zê Charone interpreta Dalila Ohana, que viveu com Magalhães Barata (Foto: Divulgação)

É noite de terça-feira em Belém do Pará. Zê Charone e Edyr Augusto Proença estão no Espaço Cuíra à espera de Cláudio Barradas para começar o ensaio do espetáculo “Sem Dizer Adeus”, que volta a ser apresentado na cidade. “Ele é padre, está rezando uma missa e vem direto pra cá”, explica o diretor Edyr Augusto. A peça entra em cartaz hoje e conta a história de Dalila Ohana, mulher de Magalhães Barata, um dos maiores líderes políticos do Pará, expulsa da própria casa quando o marido, com quem não era casada oficialmente, caiu doente.

Quando Barradas chega, está com uma calça de linho e uma blusa branca de algodão, onde um crucifixo de madeira se destaca. O ensaio já pode começar. “Se eu mandasse nesse país, todo mundo faria teatro pelo menos durante três anos. Teatro abre a cabeça. Nós entendemos de seres humanos”, diz ele, ao tentar explicar porque tornou-se padre depois de tantos anos como ator.

“Sem Dizer Adeus” é baseado no livro “Eu e as últimas 72 horas de Magalhães Barata”, de autoria da própria Dalila, que foi buscar na escrita sua forma de protesto. A adaptação recebeu o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, concedido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em 2009, e faz parte do projeto “Cuíra por Memória”.

Até 2012, a vida do ex-governador do Pará Joaquim de Magalhães Cardoso Barata (1888-1959) será tema do projeto, que encerrará com um grande musical. “Não sou admirador de caudilhos como o Barata, mas a injustiça com a qual Dalila foi tratada me incomodou. Acho que o teatro precisava tratar disso, não somente como fato histórico, mas principalmente para discutir o tema com a sociedade”, diz Edyr Augusto.

ASSISTA
Espetáculo “Sem Dizer Adeus”, de Edyr Augusto Proença. Com Cláudio Barradas e Zê Charone e participações de Henrique da Paz, Olinda Charone, Saulo Sisnando, André Mardock, Roni Hofstatter e Flávio Ramos. Reestreia hoje, às 21h, no Teatro Cuíra (Rua 1º de Março, esquina com Riachuelo, Campina). Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada para estudantes). A temporada segue até dia 4 de setembro, sempre às sextas, sábados e domingos, às 21h.

(Diário do Pará)




Foi um enorme prazer participar da produção dos shows que animaram a galera na posse da Presidente Dilma Roussef. Parabéns a todos que fizeram parte deste evento e um abraço especial ao Zelito Passos, maestro Manassés e banda, Zunga, Kleber Moraes, Klésio Borges, Davi Honório e Cassimiro.

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